terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"Acabou. No meu caso, dessa vez, apenas acabou. E aí essa é a hora em que eu pego a mala, arrumo as roupas e encaro a parede com a expressão mais perdida da vida. E agora, Zé, vou pra onde?
Esse mundão de meudeus é tão grande, o meu Zé provavelmente responderia. Olha aí, quanta oportunidade pela frente. A vida é uma só, então vai lá e aproveita as coisas que estão começando. Porque, olha (olha!), quanta coisa começando.
Algumas vezes você se despede, algumas vezes chora, algumas deixa pra lá. Sente aquele apertinho no peito, mastiga uma decepção ou então engole um bom pedaço de coragem. Mas vai. Respira fundo e vai, porque a graça da vida está justamente em poder se reinventar. Não disseram por aí trezentas mil vezes que era melhor ser uma metamorfose ambulante? 
Bom, acabou, Zé. Vou arrumar a mala com roupas para todas as estações, até mesmo aquelas que eu não gosto tanto de usar (vai que meus gostos mudam, não é mesmo?). Vou tomar umas doses de coragem, esconder o medo com a maquiagem e ir."

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quisera eu manter teus olhos fixados ao meus
Ou fazer tremer teus lábios
Ah se eu pudesse parar para observá-los cinco minutos pela manhã
Todas as manhãs.



Meu tesouro
És como alegria em prato cheio, transbordando, intensamente.



Quando é pra ser.


Se aprecia de segunda a quinta, na sexta não mais.
Se sente bem na terça e quarta, na quinta, fica apreensiva.
Porque não constante?
Olhou para si,
mesmo sabendo não ser mais a mesma
e tocou sua face
buscando as expressões que há dias atrás
mostravam um semblante tão feliz.
Os perfumes traziam consigo as vagas lembranças
de uma vida que já não segue mais daquela forma.
As fotos procuram uma moldura adequada,
ou porta-retrato bonito.
Mas ainda nem foram tiradas e sequer reveladas.
Correntes que a prendiam ficaram ao chão
naquele velho quintal
onde as flores ainda brotam em manhãs secas.
Ocupam quase todo o espaço
onde seus pés buscam um equilíbrio para andar
e esperar cair sobre si, as bruscas lembranças
de um passado provavelmente bem vivido.
Colheu, os frutos que um dia plantou ali.
E sabendo o que fazer, apenas partiu.
Um pequeno detalhe a moldou,
aos poucos já não tinha os mesmos pensamentos
de uma boba menina.
Se deixou ser.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Menina da pele clara

Menina da pele claro vem ver o nascer do sol. Que há  der ser mais bonito, que o dia nascendo vivo, pra gente recomeçar? Menina não tenha medo, pra viver não tem segredo. Deixa teu corpo acompanhar o ritmo da música de fundo, teu filme é você quem faz. Alegra-se de madrugada e me explica o que a lua traz. Daremos uma volta ao mundo, e o mundo será pequeno, para aquilo que trazemos de bom, apenas na bagagem de mão. O resto a gente inventa, a gente aumenta, o que for pequeno. E que se faça claro como a tua pele apenas o que for sincero. O resto, a gente escreve num diário, teremos fotos de recordação, e uma mente sã. Quem vive não se esconde, não se amedronta, encara o mundo, e o torna a morada certa.

Em meus braços

Seus olhos cansados pediam descanso, pelas noite mal dormidas. Eu estava ali, à sua frente. Não exigi sua atenção, mesmo sabendo que haviam coisas a serem conversadas. Mas seus olhinhos falavam por si, e seu corpo se entregou aos meus braços, se deleitou em meu colo. Senti-me tão forte. Senti todo o teu peso ir embora enquanto tomava-se por leveza. Alisei teus cabelo enquanto descansava e pedia para que eu cantasse uma música. Cantei-as, enquanto acariciava teu rosto. Senti-me bem, cuidando de ti. As pessoas passavam ao redor e nos observavam. Mas eu estava mesmo era te olhando, te admirando, minha garota. Teu semblante tranquilo, que por alguns minutos se entregou ao sono leve, e esqueceu dos afazeres atribulados que a enchiam a cabeça. Era uma cena tão bonita. Eu queria que durasse por muito mais tempo. Estava extasiada. E enquanto tudo isso se passava, eu pensava no quanto queria momentos assim, por toda a vida.

Lugar certo

Entreguei meu coração em tuas mãos 
e nem te pedi nada
porque sei o quanto és cuidadosa. 
Vamos largar tudo? 
Tudo que faz atraso
 que for amargo
que causar discórdia. 
Lembrar o que é bom 
o que dá arrepio 
e frio na barriga só de pensar. 
Que trás o sorriso ao rosto. 
Porque te ver sorrindo 
é minha maior recompensa.
É como se todos os dias 
o clima fosse o desejado 
as flores desabrochassem
o vento nos envolvesse. 
Cada coisa em seu lugar, como é pra ser, sabe?!



quarta-feira, 6 de março de 2013

Com amor

Vem cá meu bem, e me traz aquela xícara de chá que só você sabe fazer pra me acalmar. Os ânimos estão meio aflorados, entende? E só teus carinhos saberiam resolver meus desânimos, meus descontroles e exageros. Só tua calma meio apressada me soa como tentativa. O resto, fazem em vão. Eu acordei procurando o teu sorriso, para me sentir segura. Procurei os teus vestígios depois que sumiu, e muito encontrei. Aliás, tudo em mim é vestígio de você. Do nosso amor. Impregnado em cada poro do meu corpo.

Um dia

 Não se trata de filme, livro, ou conto de fadas. Se trata da vida real. Esses dias que a gente vive, que a gente revive as alegrias, as tristezas, realizações e decepções. E ai, vai indo? Aqui vai indo. De vez em quando vai, as vezes não vai, falha, trava, dá pane. Mas a gente mesmo sem um curso sobre como se consertar, se ajeita, se aceita, desenrola-se dos problemas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Paciência

Terei paciência. Eu espero ansiosamente a procura dos teus braços pelo meu corpo incompleto. Não precisa se preocupar em dar satisfação querida, só expresse de vez em quando o que sente por mim. E me afirme que sobre hipótese de qualquer coisa que aconteça, serei eu, à quem procurarás. Só quero sentir que pensas em mim, mesmo quando está ocupada demais pra isso. Terei paciência. Terei compreensão de sobra para os teus conflitos internos, para o seu cansaço psicológico. Te dou abraços e carinho, tudo que eu tiver, te dou. Não é necessário que me peças pra te entender. Eu só quero que tenha boas noites de sono, na madrugada tranquila. E eu estarei bem, contigo. Mas, me procure.
"Tenho muita coisa aqui pra te oferecer, mas sabe o que é? Sou incompleto, também preciso receber"

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Você me nota, me anota, até divide o cigarro.

Me veja
ando ao teu encontro
todas as manhãs
procuro ter uma aparência agradável
não procuro chamar a atenção
mas quero a sua atenção
me note.


Escreva sobre mim
sobre minhas manias desgraçadas
sobre eu ser um desastre ambulante
e possuir um sorriso agradável
anote em seu caderninho
que meus olhos brilham de uma forma diferente.


Jante comigo
bebemos um vinho
de sua preferência
acenda um cigarro
e divida-o comigo
eu só preciso da tua companhia
por muitas horas na verdade.

Não me diga o que fazer


Aquela vontade de sair atropelando você por palavras chulas. De quebrar qualquer objeto que esteja à frente. Você não pode simplesmente gritar comigo como se tivesse alguma moral, sobre os meus problemas, ou atitudes. Cale-se. Suas palavras não valem, assim como o seu caráter. Chegou atrasado  pra ajudar, não tem direito de me dizer o que fazer. Por favor, se retire. Sua presença já está incomodando. Saia por aquela porta assim como entrou, rápido demais. Invente uma desculpa qualquer, suma, e nem pense em me chamar pra ir contigo. Mas que cara dura. Eu não vou te acompanhar a lugar algum.
 (Mar)ina
mar
M(ar)rina
ar
(M)ar(ina)
mina

meu mar, meu ar, minha mina

Marina linda
eterna fonte d´água a minar
de ti quero incorporar
tu simplicidade aliada a tua beleza
teus gestos meticulosos sem malícia
teus cabelos crespos para trançá-los
teu perfume para ser um conquistador

Marina linda
tulipa das minhas liláceas
tom exótico de minhas orquídeas
árvore frondosa da minha floresta
eterna fonte d'água a minar

Ó doce arrebatadora
dos meus sentimentos
doce delírio dos meus delírios
encanto maior dos meus encantos.

D'pai.

De uma hora a outra.

Que na madrugada seus desejos sejam despertados
Seus medos afugentados
E que você pense em mim.

Que teu corpo me chame nas noites de inverno
Implorando um abraço eterno
Sentindo o meu cheiro de chocolate quente.

Que você me ligue de manhã cedinho
Diz que me ama baixinho
Fazendo até o sol sorrir.

E a tarde, vem aqui, me traz um sorvete
A gente anda sem rumo por aí
Mas pense sempre em mim.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Olhos de floresta

E ela me olhava diretamente conseguindo até desvendar minha aura. Com aqueles olhos de floresta à luz do sol, depois de uma madrugada de chuva, onde o verde padecia após todas as gotículas de água se evaporarem. Isso foi então hipnotizando, e uma reciprocidade de sentimentos foi sendo transferido, de um olhar para o outro. A tarde já havia se passado como todas as outras vezes, ligeiramente e quase imperceptível. Não sendo os feixes de luz que se permitiam clarear a casa pelas janelas entre abertas, os dias passariam correndo, como dois passos a cada dois degraus de escada, porém, incansável. Insaciável o desejo. O carinho transbordava, e entre uma carícia e outra, o silêncio se fazia música. As notas pairavam sobre nossas cabeças, eram suaves e inquietantes. Fazendo as borboletas manifestarem-se na barriga e aflorando o calafrio na ponta dos dedos. O toque delicado dos nossos corpos, se fundindo a cada abraço apertado, caloroso, protetor. Incrível como os sentimentos sinceros curam até as feridas mais ásperas.
A noite foi intrometendo-se aos poucos. Mesmo querendo tomá-la pela mão e fugir por aí, me contive, e contentei-me satisfatoriamente em tomar-te a mão, o coração, e dizer o quanto a amo. Mesmo com os olhos brutos, ou os pedidos de desculpas soluçados depois dos aborrecimentos, só conseguia pensar em atender teus pedidos, te agradar, te fazer segura, de que meu coração é teu, e eu sei que cuidará muito bem dele assim como tem feito todos os dias. E, ao dar o último beijo da noite, antes de fechar a porta e seguir sozinha dali até em casa, já sentia sua falta. Então pedi para que se cuidasse, já que não estaria ali durante o resto da noite. Mas em breve acordará com o meu melhor sorriso de bom dia.


Os dias correm, percorrem nossas vidas
E em breves sorrisos, olhares, abraços, carícias
O tempo passa.
O mundo vai girando
Assim como nossas cabeças depois das brigas sem sentido
Acompanhadas de pedidos de desculpas arrependidas e sinceridade no olhar.

Fora da gaiola

Foi-se. Escapuliu pela janela. Deu um salto grandioso e sequencialmente piruetas pelo ar. Sentiu o vento esvoaçar suas penas. Reduziu a velocidade. Freou-se e apreciou a vista. Descansou no abismo. Fechou seus pequenos olhos e absorveu os últimos raios, já fracos, do sol que se punha. Sabia que não era certo repousar ali durante toda a madrugada. Mesmo a vontade sendo imensurável, de apenas andar pelo mundo. Não precisar voltar pra gaiola recém-trocada, mas que em nada lhe beneficiava. Não havia conforto algum. O fim da tarde, a chegada da noite, madrugada, manhã. A manhã, o sol nascendo. Ah que bela manhã. Então já se podia cantar, aos quatro ventos. Já se sentia a liberdade pelo ar. Mesmo que só por uma noite inteira.