segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Fora da gaiola

Foi-se. Escapuliu pela janela. Deu um salto grandioso e sequencialmente piruetas pelo ar. Sentiu o vento esvoaçar suas penas. Reduziu a velocidade. Freou-se e apreciou a vista. Descansou no abismo. Fechou seus pequenos olhos e absorveu os últimos raios, já fracos, do sol que se punha. Sabia que não era certo repousar ali durante toda a madrugada. Mesmo a vontade sendo imensurável, de apenas andar pelo mundo. Não precisar voltar pra gaiola recém-trocada, mas que em nada lhe beneficiava. Não havia conforto algum. O fim da tarde, a chegada da noite, madrugada, manhã. A manhã, o sol nascendo. Ah que bela manhã. Então já se podia cantar, aos quatro ventos. Já se sentia a liberdade pelo ar. Mesmo que só por uma noite inteira.

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