E ela me olhava diretamente conseguindo até desvendar minha aura. Com aqueles olhos de floresta à luz do sol, depois de uma madrugada de chuva, onde o verde padecia após todas as gotículas de água se evaporarem. Isso foi então hipnotizando, e uma reciprocidade de sentimentos foi sendo transferido, de um olhar para o outro. A tarde já havia se passado como todas as outras vezes, ligeiramente e quase imperceptível. Não sendo os feixes de luz que se permitiam clarear a casa pelas janelas entre abertas, os dias passariam correndo, como dois passos a cada dois degraus de escada, porém, incansável. Insaciável o desejo. O carinho transbordava, e entre uma carícia e outra, o silêncio se fazia música. As notas pairavam sobre nossas cabeças, eram suaves e inquietantes. Fazendo as borboletas manifestarem-se na barriga e aflorando o calafrio na ponta dos dedos. O toque delicado dos nossos corpos, se fundindo a cada abraço apertado, caloroso, protetor. Incrível como os sentimentos sinceros curam até as feridas mais ásperas.
A noite foi intrometendo-se aos poucos. Mesmo querendo tomá-la pela mão e fugir por aí, me contive, e contentei-me satisfatoriamente em tomar-te a mão, o coração, e dizer o quanto a amo. Mesmo com os olhos brutos, ou os pedidos de desculpas soluçados depois dos aborrecimentos, só conseguia pensar em atender teus pedidos, te agradar, te fazer segura, de que meu coração é teu, e eu sei que cuidará muito bem dele assim como tem feito todos os dias. E, ao dar o último beijo da noite, antes de fechar a porta e seguir sozinha dali até em casa, já sentia sua falta. Então pedi para que se cuidasse, já que não estaria ali durante o resto da noite. Mas em breve acordará com o meu melhor sorriso de bom dia.
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